Muito prazer: EU!!!

Meu nome é José Antônio do Carmo, nome que recebi de meus pais. Meu nome artístico é José Antônio do Carmmo, Carmo com dois m’s, coisa de artista, coisas de numerologia. Nasci em Minas Gerais, no interior, em lugarejo chamado Córrego do Macaquinho. Não existe no mapa. É próximo a Ipatinga, Cel. Fabriciano. Fui para Belo Horizonte com minha família quando tinha dois anos. Sou filho do êxodo rural. Vivi minha infância, adolescência e começo da maioridade na periferia de BH. Vim para São Paulo em agosto de 1997.

O gosto pelo teatro surgiu na escola. Minhas professoras gostavam de me colocar nas “pecinhas” montadas na escola. Eu me saía bem. E todas às vezes, lá estava eu. Mas nesta época isso era apenas brincadeira de criança, de adolescente. Eu gostava, mas não pensava em profissão. Só bem mais tarde é que resolvi que queria ser ATOR PROFISSIONAL, lá pelos 22 anos. Quando resolvi que queria ser ator, fui estudar. Não tinha o hábito de ir ao teatro. Minha família não tinha esta educação. Uma família simples e de poucas posses. O dinheiro mal dava para comer. Decidi que era o teatro que eu queria. Desisti da profissão de técnico agrícola, larguei a faculdade de engenharia de agrimensura e fui estudar teatro. Resolvi estudar teatro em 1992. Neste ano entrei no Teatro Universitário da UFMG. Formei-me em 1994 e desde então só faço isso. Fazendo as contas, teatro profissional, depois de me formar: 17 anos de carreira. Não fiz muito teatro amador. Devo ter feito uns dois espetáculos ou três, e resolvi que devia estudar, já que queira ser um profissional. Desde então, estou vivendo de TEATRO. É uma batalha diária. Matando “dois leões por dia”… coitado dos leões!!!.. Viver de e fazer cultura neste país é muito difícil!

A situação da nossa cultura melhorou muito, mas ainda deixa a desejar. Precisamos de uma política pública efetiva para a nossa cultura. Foi se o tempo em que o ator de teatro era reconhecido. Hoje, o reconhecimento do ator está atrelado aos trabalhos na TV. Temos excelentes atores nos teatros do Brasil, mas poucos têm a chance de estar na TV ou não querem estar. Infelizmente não se consegue viver só fazendo teatro.

No nosso país temos patrocinadores. Só que eles utilizam da cultura como mais um meio de publicidade para sua empresa. Eles não estão preocupados com a cultura, estão preocupados em aumentar seus lucros. Por isso patrocinam a bola da vez, o nome que está em evidência, o global que irá lhe render. Eles estão errados em pensar assim? Não. Estamos numa sociedade capitalista. O pior de tudo isso é usarem as leis de incentivos fiscais para tirarem proveito, utilizando como renuncia fiscal, mascarando o seu real interesse que é a publicidade. E os artistas, os que realmente fazem cultura no país, não conseguem ter o patrocínio destas empresas, por  não terem na sua ficha técnica um nome, usando um clichê, um nome de peso.

Em alguns países a política pública voltada para a cultura é mais definida. Grupos recebem subvenções para fazerem os seus trabalhos, independente da pesquisa que realiza ou do nome de peso que consta na sua ficha técnica. Nesses países também tem os aproveitadores da bola da vez, mas tem uma política voltada para a cultura, para apoiar os seus artistas. Estamos falando de países desenvolvidos, onde a Educação e a Cultura estão atreladas.

Aqui no Brasil, a nossa Educação está de mal a pior. O que dirá a nossa cultura. Precisamos de uma política pública efetiva. É preciso que a cultura, o teatro vire necessidade. Como é necessidade comer, dormir, trabalhar, respirar. Nem estudar está mais sendo necessidade. Estamos vivendo numa sociedade que banaliza tudo. A cultura sempre esteve em último plano, em último na lista de necessidades. É duro falar isso? É. Principalmente para mim que sou artista e vivo de fazer teatro.

Não podemos esquecer as nossas conquistas… Aqui em São Paulo um grupo de artista se uniu em movimento chamado “Arte contra a Barbárie” e conseguiu que fosse aprovada a Lei de Fomento para o teatro. Essa lei garante recursos, em orçamento da prefeitura, para grupos desenvolverem seus trabalhos. Os grupos são subvencionados, recebem dinheiro para trabalhar, construir sua história, sem depender de patrocinador, de critérios marqueteiros. Mas é pouco! É preciso mais Leis como esta na esfera Estadual e Federal. O Brasil é muito grande, temos muitos artistas, grupos que precisam ter seu trabalho garantido.

Não podemos esquecer que temos vários festivais de teatro que acontecem o ano todo pelo Brasil, onde artistas de todo mundo se apresentam e fazem um intercâmbio com os artistas Brasileiros. Estes festivais são grandes escolas para quem faz teatro. São nesses momentos que trocamos idéias, vemos idéias, pesquisas… Esses festivais são realizados por iniciativa de grupos de teatros, por instituições privadas como SESC, SESI, etc. O Brasil está inserido na “cultura universal”. Vários grupos são convidados para irem para fora se apresentar, como vários artistas de fora passam mais tempo no Brasil em festivais que em sua terra natal. Mas continuo batendo na seguinte tecla: Os GOVERNANTES deveriam pensar uma política mais efetiva voltada para a cultura.

Mas o que temos de melhor mesmo são os nossos ARTISTAS. Somos tão bons, ou melhores que qualquer artista de outro país. Não ficamos atrás de nenhum deles. Aqui pensamos teatro, escrevemos teatro, fazemos teatro, criamos técnicas, aprendemos técnicas, exportamos talentos. As dificuldades que temos para realizar nosso trabalho fazem com que sejamos criativos e que inventemos soluções para dar asas a nossa imaginação.

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