Anjo Caído

Do palhaço tentei roubar a alma
Congelar o temerário gesto
que pede uma trégua
na tarefa de ser homem.
Do palhaço quis a inspiração
do riso mágico da imperfeição.
Deste ofício de homenagem ao ridículo,
de ensaio no erro,
exercício do tropeço,
quis conhecer a rotina.
Visitei palco e oficina
deste palhaço que insiste
na exaltação do feio,
na inquietação do débil,
sujo, sem futuro…
Do clown quis aprender a arte
de aceitar a pior parte…
Poética,
a moral dos palhaços.
Sem princípios ou finalidades.
Cabeças sacrificadas em nome
da cômica verdade :
Todos nós bufões enrustidos,
sufocados pelo desejo
de ser Deus.
Anjo caído,
o palhaço não aspira
à imortalidade.
Vive na dualidade :
mais erros que acertos,
mais feios que bonitos,
mais a alegria do risco,
que a tristeza da conquista.

 KARLA MOURÃO

 Parzer! Mezeca Meleca. Meleca para você! 

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